Objetivo
Mulheres com endometriose ainda precisam buscar a legitimidade de sua doença na comunidade médica e muitas vezes se sentem ignoradas. Esta revisão de escopo visa mapear a literatura científica para descrever barreiras e facilitadores no gerenciamento da endometriose, tanto da perspectiva dos pacientes quanto dos profissionais de saúde (HCPs).
Métodos e medidas
Pesquisamos a literatura publicada entre 2012 e 2023 nas bases de dados Web of Science, PsychInfo, PubMed, CINAHL, Embase e Cochrane Library. Um total de 52 estudos elegíveis foram identificados.
Resultados
Observamos várias barreiras no tratamento da endometriose: a percepção das pacientes como desafiadoras e psicossomáticas; falta de conscientização e conhecimento médico; tabus e preconceitos persistentes; comunicação desafiadora sobre dor, gravidez e infertilidade; falta de empatia dos profissionais de saúde; e barreiras nas ferramentas de diagnóstico e acessibilidade aos cuidados de saúde. Os principais facilitadores foram os profissionais de saúde e a conscientização da comunidade; levar os sintomas das pacientes a sério; comunicação compassiva sobre fertilidade e dor; tomada de decisão compartilhada, encorajando as pacientes a buscar informações baseadas em evidências; e suporte multidisciplinar.
Conclusão
Conseguimos identificar barreiras concretas e facilitadores para o gerenciamento bem-sucedido da endometriose. Pesquisas futuras são agora necessárias para identificar maneiras ótimas de implementar essas evidências e pesquisar até que ponto elas se aplicam a populações mais diversas em cenários não ocidentais e explorar o impacto das características demográficas dos profissionais de saúde.
Nota da editora
Pesquisas indicam que mulheres com endometriose são frequentemente consideradas belas, altamente competentes e extremamente exigentes. No entanto, sua aparência forte e determinada esconde uma realidade dolorosa.
Essas mulheres não são apenas vítimas da doença em si, mas também da falta de compreensão. Muitas são rotuladas, principalmente pelos profissionais de saúde, como depressivas, histéricas ou até mesmo loucas, quando, na verdade, enfrentam uma das condições mais cruéis, que corrói internamente, gritantemente na portadora, silenciosamente por fora, e causam um verdadeiro arrastão em suas vidas.
Dr. Ricardo Pereira Mendes, médico renomado, sempre destacou que essas mulheres não têm depressão no sentido clínico tradicional, mas sim uma tristeza profunda. Eu mesmo fui diagnosticada sabiamente pelo setor de psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo com tristeza profunda, mesmo estando em um estágio severo psicologicamente falando. A dor incessante, presente 24 horas por dia, gera um sofrimento indescritível, que vai muito além do físico: afeta a vida emocional, profissional e financeira, leva à perda de amigos e ao isolamento social.
Devido à gravidade da condição, muitas acabam recebendo o diagnóstico de depressão profunda, quando, na verdade, o quadro pode ser diferente. Essa confusão nos diagnósticos é comum e reforça a necessidade de um olhar mais atento e especializado para essas mulheres.
Dr. Ricardo Pereira, com sua sabedoria e humanidade, foi um dos primeiros médicos do Brasil a realizar o desencarceramento de nervos pélvicos, entre outros procedimentos inovadores. Seu trabalho fez — e ainda faz — uma grande diferença na vida de muitas mulheres que sofrem com essa doença. Ele te vê. Não só os papeis que dizem algo, mais, ele acredita em você.
Registro
INPLASY202430109.